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O conceito da Escassez em uma Cultura não Suficiência

Por muito tempo procurei ser tudo – desde a “estudante modelo” até me tornar a ativista acadêmica, a mãe criteriosa, a profissional incansável e a empreendedora de sucesso. Para quem tem um olhar à primeira vista, esses múltiplos papéis podem parecer estágios de desenvolvimento razoáveis, senão previsíveis, mas eles eram mais do que isso pra mim. Constituíam diferentes armaduras de uma tática construída sobre a mesma premissa: estar sempre ocupada e assim, manter todo mundo a uma distância segura e preservando-me dentro de uma “blindagem especial”.

Ao mesmo tempo em que a técnica mostrava-se eficaz, tornava-se um grande fardo carregar isso o tempo todo. Até que eu tive a percepção real de que eu estava aqui a serviço e que as pessoas lembrar-se-iam de mim, não por ser uma “mulher maravilha”, mas sim por ser uma mulher humana, e que dentro da sua caminhada de erros e acertos, ter sido capaz de ter enfrentado os seus próprios dragões e poder partilhar assim, seus testemunhos aos seus alunos, clientes, seguidores.

Dentro desta reflexão, encontrei dois pesquisadores: Jean Twenge e Keith Campbell, autores do livro The Narcissism Epidemic (A epidemia do narcisismo), que argumentam nesta ocasião, que a incidência do transtorno de personalidade narcisista mais que dobrou nos Estados Unidos nos últimos 10 anos. Então isso pode dizer que nos transformamos em uma sociedade de pessoas egoístas e pretensiosas, que só se interessam por poder, sucesso, beleza e se tornarem importante, num ego tão inflado, mas sem produzir nada com grande valor.

De acordo com Brené Brown, em seu livro A Coragem de ser Imperfeito em que ela aborda o poder da vulnerabilidade (inclusive tema de uma palestra no TED, em Houston, ano de 2010) ela dispara: catalogar o problema colocando o foco em que as pessoas são em vez de nas escolhas que elas estão fazendo deixa todo mundo isento “Que pena. Eu sou assim”… o que deve ser feito é buscar entender as causas para que seja possível lidar com os problemas.

Dando continuidade a esta linha de raciocínio, Brené cita: a vontade de acreditar que o que estamos fazendo tem importância é facilmente confundida com o estímulo para sermos extraordinários. As ideias de grandeza e a necessidade de admiração parecem um bálsamo para a dor de sermos tão comuns e inadequados. Sim, esses pensamentos e comportamentos, no final, causam mais dor e levam a mais isolamento.

Se ampliarmos a perspectiva, a visão muda. Sem perder de vista os problemas que viemos discutindo, podemos enxerga-los como parte de um quadro maior. São panorâmicas das ideologias que estão transformando lentamente quem nós somos e a maneira como vivemos, nos relacionamos, trabalhamos, lideramos, cuidamos dos filhos, governamos, ensinamos e nos conectamos uns com os outros. Esse contexto é o que se conhece por cultura da escassez.

A escassez, portanto, é o problema de nunca ser ou ter o bastante. Ela triunfa em uma sociedade onde todos estão hiperconscientes da falta. Tudo, de segurança e amor até dinheiro e recursos, passa por uma sensação de inadequação ou falta.

O oposto de viver em escassez não é cultivar o excesso. Na verdade, excesso e escassez são dois lados da mesma moeda. O oposto da escassez é o suficiente, ou o que se chama plenitude. Em sua essência, é a vulnerabilidade: enfrentar a incerteza, a exposição e os riscos emocionais, sabendo que eu sou o bastante. Conclui a autora.

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