PITCH PARA QUÊ

PITCH PARA QUÊ?

Desde que eu conheci essa modalidade de apresentações, já me deparei com diversos tutoriais de como fazer o “pitch perfeito”, o “pitch quase perfeito”, ou mesmo o “pitch matador”. Não há nada de errado nisso, se não fosse pelo fato de que os autores desses tutoriais se baseiam somente em suas próprias experiências, ou seja, tudo não passa apenas de dicas! É aí que a credibilidade do assunto morre. Falta uma metodologia ou uma ferramenta mais objetiva e concreta para trabalhar a formação do pitch e sobram “blá blá, blá’s” de como fazer a apresentação matadora.

Cada autor parece também ter um conjunto diferente e próprio dessas dicas, assuntos e estruturas de apresentação infalíveis para que o empreendedor conquiste o grande investidor. Mas eu sempre me pergunto: quantas vezes cada um deles já apresentou sua ideia para um investidor e conseguiu um grande aporte? E, principalmente: quantas vezes cada um deles já conseguiu encontrar um grande CEO em um elevador? Afinal, todos parecem muito certos de que a qualquer momento você irá se esbarrar com Abílio Diniz, ou Carlos Wizard, em algum elevador. E basta dizer aquela sequência de textos decorados que logo em seguida alguns milhares de reais cairão na conta da startup. Na realidade, a maior probabilidade é que isso nunca aconteça, então, pare de acreditar e se preparar erradamente para situações ilusórias de literatura moderna.

Ah, e não busque traduzir de forma direta o significado de pitch do inglês para o português. Mas, de forma bruta, um pitch é um arremesso, ou seja, é uma jogada única e certeira que você deve executar.

Dessa forma, preparar um pitch significa muito mais do que uma apresentação bonitinha, com slides puch, números estatísticos ou estorinhas que sempre começam com uma pergunta retórica. Estruturar um pitch significa entender de maneira clara o que é o seu próprio negócio e estar preparado para conversar sobre ele.

Sempre de forma muito objetiva, simples e assertiva. O pitch é uma apresentação curta que, antes de quaisquer outras coisas, tem um objetivo muito claro. Esse objetivo é o empreendedor que deve estabelecer.

Pode ser fazer uma venda, mas pode também ser muito mais do que isso, como atrair a atenção de um possível grande parceiro ou investidor, para conquistar a oportunidade de uma próxima reunião (com mais calma, mais pessoas envolvidas e ambiente mais propício para negócios), ou mesmo para conseguir com que alguém faça uma “ponte” de contato entre você e outra pessoa (cujo acesso não é tão fácil).

O pitch deve gerar alto impacto no ouvinte, causar interesse, prender a atenção. Por isso é tão importante que você já saiba para quem irá apresentar e entenda de assuntos como inteligência emocional, oratória e storytelling. A função desses temas é propiciar um impacto emocional, com uma sequência lógica de informações, de forma que tudo faça sentido na mente do ouvinte.

Saber o que exatamente se quer com aquela apresentação e organizá-la de maneira simples pode lhe render grandes frutos. Em conversa com uma amiga que representa um dos maiores fundos de investimentos do país para empresas iniciantes, o CRIATEC 3, ouvi dela uma confissão que imaginei ser a realidade de muitos investidores. Ela me falou que já nem lembra mais de quantos coffee braeks já perdeu em eventos, pois é nesse momento que muitos empreendedores a procuram para puxar uma conversa atrás de oportunidades de investimento. Porém, meia hora depois do início da fala (e um coffee break perdido), ela ainda continua sem saber exatamente o que o empreendedor faz e, principalmente, quer. Ou seja, falta a boa estrutura da fala e a objetividade. Jamais vá conversar com um investidor se você não tiver na ponta da língua:

– O que você faz exatamente;

– O problema que você resolve com aquilo que você faz;

– Quanto especificamente você precisa (de investimento);

– Para quê você precisa (finalidade);

– Como você pretende devolver esse investimento ou recompensar o investidor por esse ato.

Apesar de ser uma boa dica, isso ainda não é uma completa estrutura de um pitch. Entenda que um pitch é só o final de um grande trabalho, em que você entendeu as dores do seu público, planejou, prototipou e validou sua ideia e agora precisa de recursos para implementá-la em larga escala. Muitas vezes você tem que apresentar somente a ideia, ou seja, ainda não tem sequer um MVP pronto, mas a solução é a mesma: entenda o quê, o porquê e o para que você faz o que faz. E saiba organizar isso numa sequência de uma história (storytelling), para que tudo faça sentido.

No último ano tenho desenvolvido aquilo que ainda não encontrei por aí, nos diversos eventos de startups e nos inúmeros tutoriais na internet: uma metodologia prática e que se concretize em uma ferramenta simples.

Prometo que falarei sobre isso em um próximo artigo. Por ora, fico à disposição de todos para conversar sobre esse assunto. Mas, caso me encontre por aí (em algum coffee break de evento ou elevador), por favor, não precisa me fazer um pitch, mas seja direto e muito simples com as palavras! Assim poderemos ter uma excelente conversa, com ótimos resultados.

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